Ignoremos, pois, o que é importante
O Tiago foi acusado de ser caceteiro, impertinente, intelectualmente desonesto, mal educado, deselegante e - supremo dos pecados - chato. Que o Tiago é um chato do caraças já eu sabia: conheço-o há mais de dez anos e até já o expulsei de um blog; mas o Tiago não escreveu aqueles posts para ser o rei da comédia, nem pretendia divertir o pessoal. A piadola e a reacção de ironia enfadada têm sempre a sua graça, mas não deixam de ser uma forma, de assobiar para o lado - legítima, entenda-se; mas comprometedora.
Intelectualmente desonesto é coisa que o Tiago certamente não é; e não o sendo, tudo o que escreveu não podia deixar de ser "violento" e "deselegante". Digo isto porque a legitimidade do tom não pode ser independente da substância das criticas - perfeitamente justificadas, na minha parcial opinião - que dirigiu ao André Azevedo Alves. Não interessa se o AAA é um brilhante intelectual e académico - sobre isto temos os inexcedíveis e comoventes encómios do Rui A., no Portugal Contemporâneo. Mas não é isso que está em causa. O André não foi acusado de ser uma fraude, só quem não quis ler o que o Tiago escreveu pode pensar semelhante coisa.
O simples facto de a maioria das pessoas que reagiram negativamente ás críticas do Tiago terem ignorado a substância daquilo que foi realmente escrito, revela que uma parte significativa da Direita a que o Tiago pensava pertencer não está interessada em clarificações ideológicas e debates internos estruturais. O que verdadeiramente interessa é enxovalho fácil, repetitivo e, demasiadas vezes, alarve à Fernanda Câncio, Daniel Oliveira, e à "extrema-esquerda" em geral. Barricadas e auto-complacências à parte, o Tiago parece ter atingido parte dos seus propósitos: com algumas excepções, a tal Direita moderna definiu-se por omissão. Se o que interessa é defender a honra e o bom nome do André, está tudo dito. O "pluralismo e a não-organicidade" saem vencedores à custa da supressão da crítica. Pelos vistos não interessa a descupablização sistemática do Pinochet, de Salazar, da pena de morte (num post recente no Insurgente) e de tudo o resto que o Tiago aponta (as tais ideias que causam vómitos e que metem nojo). O problema é o Tiago e as suas impertinências que vieram pertubar a pacatez da Direita Moderna e de Futuro. A ironia de tudo isto é ver parte da direita a praticar uma forma evidente de politicamente correcto e de tolerância cúmplice, o mesmo que critica na famosa esquerda-relativista-pós-moderna. Acho extraordinário.
Num comentário a um post onde o Pedro Marques Lopes elogia o Tiago, o Pedro Lomba escreve: Gostava de dizer que o Tiago é uma das boas razões (e eu que sou um individualista radical) que me fazem continuar a querer pertencer a um grupo a que temos vindo a chamar “a direita” mas a que, se calhar, devíamos chamar outra coisa . Foi por ter achado que se calhar era melhor chamar outra(s) coisa(s) que os posts do Tiago foram importantes e clarificadores. O silêncio perante a pergunta que o Tiago coloca no seu chatíssimo post de 3058 palavras. O suficiente para seis páginas A4, não deixa de ser a resposta que o Tiago procurava.
















