Friday, December 16, 2005

Um flirt com Marx

"Marx says that the myth of some ancient, originary appropriation that is the innocent basis of inequality under capitalism “plays approximately the same role in political economy as original sin does in theology,” namely it obscures the aggressive political activity that initiates and constantly sustains all social inequality"

Eu nao sou Marxista, mas se esta passagem e' dirigida a Locke e a todos aqueles que defendem a santidade da propriedade, eu subscrevo-a por inteiro. E acho que isto nao me compromete com devaneios revolucionarios nem com a abolicao da propriedade privada. Aqui defendo a sabedoria classica: a virtude situa-se necessariamente entre dois extremos.

2 Comments:

At 3:27 AM, Anonymous João Alves said...

E eu que sempre pensei que o pecado original era igualmente distribuido por todos. Eu também não sou Marxista. Apenas considero que Marx tinha toda a razão.

 
At 1:43 AM, Anonymous José Barros said...

Estou em completo desacordo com a citação.

A aquisição de propriedade é derivada ou originária. Quando derivada, a aquisição é feita com o dinheiro do proprietário que trabalhou para o ter; quando originária (por usucapião), a propriedade é adquirida pela força da posse da coisa e seu usufruto, punindo-se o desleixo do antigo proprietário pela perda da coisa.

Em ambos os casos a aquisição de propriedade é justa. Justíssima. Para além de promover a criação de riqueza.

A ideia de que o proprietário de hoje que adquiriu a propriedade do anterior proprietário é responsável pela possível iniquidade de uma aquisição na cadeia de transmissão é ridícula. Seria o mesmo que eu culpar o João Galamba por um seu antecessor no século XV ter cometido um roubo.

A justa aquisição da propriedade não depende, pois, da primeira aquisição ou de uma das aquisições na cadeia de transmissão, mas apenas - e relativamente ao último proprietário - da transmissão em que ele participou.

 

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